Test-Drive de Cicloturismo no Vale Europeu

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Férias, finalmente elas chegaram! E para acalmar um pouco a ansiedade (ou despertá-la um pouco mais) para os planos do recém nascido ano de 2017, resolvemos fazer uma pequena cicloviagem por um trecho do consagrado Circuito Vale Europeu, em Santa Catarina. A ideia foi testar os equipamentos que serão utilizados numa próxima cicloviagem mais longa e também ver como a Frida (nossa vira-lata) se sairia no bike trailer.

Há alguns anos assisti uma inspiradora entrevista no programa do Jô, na qual ele conversou com o cicloviajante Argus Caruso Saturnino, do projeto Pedalando e Educando. Quando o Jô pergunta ao Argus se ele havia se preparado para a viagem que fez ao redor do mundo, o ciclista riu e disse que não teve tempo para se preparar, e no fim comprou a bicicleta uma semana antes da viagem. Realmente achava que a preparação física não seria assim tão crucial, uma vez que a própria viagem serviria de preparação para os quilômetros subsequentes.

Em se tratando de preparo físico, essa afirmação é bem coerente (claro, tendo em mente que a sua saúde será o maior limitador para o início da viagem). Por outro lado, é importante conhecer o seu equipamento, entender se o que está sendo levado é adequado ou não para o que se propõe. A única maneira de conseguir isso é testando e se preparando para a viagem. Isso pode te salvar de uma série de perrengues desnecessário, sem contar que com tempo fica bem mais fácil definir uma solução mais adequada e econômica para um possível problema. E foi exatamente essa a finalidade desse pedal aqui relatado.

Pois bem, iniciamos nossa viagem no município de Benedito Novo e os planos eram fazer 140 km em 3 dias, passando por Timbó, Rodeio e Dr. Pedrinho. Infelizmente, nessa época do ano o calor no Vale do Itajaí é insuportável e ainda fomos agraciados com o dia de maior calor dos últimos 64 anos na região. Foram quase 42°C e sensação térmica acima dos 50°. Por essa razão, achamos prudente encurtar a viagem e fizemos apenas 56 km em dois dias, passando por Timbó e Rio dos Cedros (veja o mapa aqui). Foi suficiente para testar os equipos e nos divertirmos um pouco.

Quais as constatações e lições aprendidas?

Temperatura: De cara atestamos o que já sabíamos: pedalar sob calor excessivo não rola! Ponto para a nossa programação, pois a próxima viagem deverá ocorrer no inverno. Mas e o frio? Já pedalamos no inverno (do sul do Brasil), com temperaturas abaixo dos 10°, é muito melhor que o calor excessivo! Tadinha da Frida, até ela sofreu com o calor, mesmo sem fazer esforço.


Bike Trailer Thule Cadence: O peso e o arrasto gerado pelo Bike Trailer surpreendeu um pouco no começo, pois ele muda consideravelmente a resposta da bike quando é necessário lidar com a sua inércia (para entrar em movimento e para frear). Porém isso é mera questão de habituar-se a essa nova dinâmica de movimento. Por outro lado, se mostrou um equipamento valiosíssimo, pois, além da Frida, cabe MUITA coisa dentro dele. Não contávamos com tanto espaço disponível, e isso foi realmente uma ótima surpresa.


Fogareiro BRS Booster+1: nosso fogareiro multicombustível xing-ling atendeu super bem a demanda. É impressionante como aquece rápido, porém consome bastante combustível. Precisaremos adaptar um suporte na bicicleta para levar um frasco extra de gasolina para os trechos menos habitados, já que gastamos cerca de 200 ml com 3 refeições (janta, café e almoço).

Barraca Trilhas e Rumos Puhma 2: Já havíamos testado em algumas viagens das quais pudemos contar com apoio do carro para guardar as coisas (veja uma delas aqui). Contudo, para viajar de bike, com cachorro, guardando parte da bagagem no seu interior e ainda utilizando-a por vários dias seguidos, é muito desconfortável. Simplesmente pelo fato de ser uma barraca para 2 pessoas. Infelizmente somente constatamos isso depois de substituir as originais varetas de fibra por varetas de alumínio, mais leves e resistentes (e caras). Mas tudo bem, continua sendo uma ótima barraca para ataques de montanha, trekking e cicloviagens curtas. Estamos estudando outras opções para 3 ou 4 pessoas. Afinal de contas, nosso combustível será comida e noites bem dormidas, portanto um pouco de conforto nunca é demais.

Comportamento da Frida: a Frida é um “serumaninho” complicado, muito medrosa e super ansiosa (mais do que nós). Isso nos preocupou bastante, apesar de já termos feito um longo processo de adaptação entre ela e o bike trailer. Felizmente, deu tudo certo, mas vai demorar até podermos deixa-la confortavelmente sem coleira lá dentro. Ela tem muita energia, mas isso tem um lado positivo, pois pode correr ao lado da bicicleta por um bom trecho, e se for morro acima faz uma baita diferença ajudando a puxar a carga (dá até gosto de ver a pequeninha se esforçando pra ajudar a puxar).

Os aprendizados e conclusões foram esses, pois veja que uma simples viagem de final de semana é suficiente para se concluir muita coisa. Portanto nosso conselho é simples: teste sempre! Não é uma regra, muita gente viaja sem testar nem a bicicleta (caso do Argus) e consegue ir até o final, maaasss… nós preferimos antecipar as surpresas desagradáveis!

Até a próxima!

3 COMENTÁRIOS

    • Bom dia Davi, tudo certo?

      Não tive dificuldades em me adaptar com ele, pois usava um guidão mais ou menos da mesma largura antes. Mas isso também vai variar conforme o seu tipo de pedalada. Nós ajustamos ele para que pudéssemos pedalar numa postura mais ereta, e nesse sentido ele ajudou bastante pois traz o apoio para mais próximo ao corpo. O único inconveniente é que o espaço para os cabos fica muito pequeno próximo à mesa, e no começo acabei deixando as manoplas muito para fora, de forma que elas subiram um pouco pela curvatura do guidão. Isso deixou a pegada desconfortável, mas foi só reposicionar os manetes de freio e as manoplas mais para dentro que o problema foi resolvido (porém com os cabos bem no limite junto à mesa).
      Percebi que não utilizamos muito a parte de cima do guidão, apenas as laterais durante as subidas, como se fossem os tradicionais bar-ends. Talvez seja porque não nos habituamos ainda. Por outro lado, essa parte superior foi muito útil para fixação dos acessórios comuns numa cicloviagem, pois há espaço de sobra (espelho, buzina, ciclocomputador, lanterna, etc).

      Lembrando que o nosso guidão é da marca Uno! Essa impressões que tivemos podem variar conforme a geometria de cada marca.

      Esperamos ter ajudado!

      Abs

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