[Review] Fogareiro Multicombustível BRS

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Escolher um fogareiro para uma cicloviagem não é uma tarefa tão fácil, a menos que você tenha dinheiro de sobra e não tenha medo de gastá-lo.

São diversos aspectos a serem levados em consideração, os quais definimos da seguinte forma:

  • Tipo de combustível utilizado: não adianta você comprar um fogareiro que só funcione com gás se onde você for não houver pontos de venda de refil. da mesma forma, uma espiriteira a álcool é perfeita no Brasil, mas fora dele é difícil e mais caro conseguir reposição.
  • Tamanho e peso: um lindo fogareiro de duas bocas com acendimento automático não seria uma boa ideia para levar em uma bicicleta. por outro lado, deve ser capaz de suportar de forma estável o peso da maior panela que você leva na bagagem.
  • Eficiência: mais importante se você for para uma região mais alta e fria. Em geral varia mais com a sua paciência para aguardar ferver um litro de água. Não deixa de ser um aspecto importante, mas não acaba pesando tanto na escolha do equipamento. Vai implicar também na quantidade de combustível extra a ser levado na bagagem.
  • Manutenção: se não precisar de manutenção, melhor! Se precisar, que seja fácil e permita o acesso a peças de reposição.
  • Qualidade e segurança: qual é o histórico do produto? Vai te deixar na mão? Vai explodir enquanto você cozinha? E se virar, vou incendiar um parque nacional?
  • Vida útil: vou usar em uma única viagem de duas semanas ou quero um produto que eu possa deixar para os meus netos?
  • Disponibilidade: óbvio, se você precisa do fogareiro para ontem, vai ter que comprar o que estiver à mão. Caso tenha tempo, o eBay está aí para nos salvar.
  • Preço: esse é o mais delicado e, você já deve ter percebido, varia conforme as respostas para as perguntas anteriores. Lembrando que o mais barato vai ser sempre uma fogueira, e o mais caro… não tem limites!!!

Bom, levando em consideração os quesitos listados, entendemos que o mais importante seria levar um fogareiro que funcionasse à gasolina e à gás. Isso porque o gás é mais eficiente, limpo e estável, para quando necessitássemos cozinhar na varanda da barraca. Gasolina há em qualquer lugar e, por mais batizada que seja, dificilmente ficaríamos na mão. Também tínhamos tempo, então podíamos buscar o melhor custo benefício disponível.

Listamos os concorrentes e acabou que o nosso sonho de consumo se tornou um fogareiro da MSR, uma marca já consagrada de equipamentos outdoor. No fim das contas acabamos optando por um fogareiro xingling (BRS) mesmo, afinal, o MSR custava R$1.000,00 e o BRS R$150,00.

Ao pesquisar vimos boas e péssimas referências do equipamento eleito, mas acabamos decidindo arriscar a sorte. Agora, após quatro meses de intenso uso do equipamento, eis nossa percepção:

O equipamento é compatível com o seu valor, quiçá até superior ao esperado. É leve, razoavelmente compacto, fácil de montar e de transportar. A queima de combustível é eficiente e, se usado com um bom quebra ventos, ferve um litro de água em poucos minutos. Sua manutenção é razoavelmente fácil e, inclusive, o fogareiro vem com uma ferramenta própria para a execução dessa tarefa. Parece perfeito, não?

Não! Quais são então suas desvantagens? Bom, lemos muito sobre o equipamento e várias pessoas reclamaram do ressecamento das borrachas e falta de vedação das peças, sendo que a sua reposição é impossível. Obviamente, isso resulta em descarte do equipamento ou improvisação do reparo. Nosso fogareiro apresentou alguns vazamentos no começo também, porém todos foram sanados com fita veda-rosca e com leves apertos em parafusos. Esses problemas nunca mais voltaram, mas costumamos substituir as vedações mensalmente. Esse tipo de problema só ocorre quando se usa gasolina, pois está relacionado com a bomba manual utilizada para injetar ar no cilindro de combustível e pressurizá-lo. Com o uso de gás isso não ocorre. Por essa razão não arriscamos utilizar o fogareiro com gasolina na barraca. As peças da tal bomba de pressurização e da válvula de combustível são todas plásticas e, evidentemente, de qualidade inferior às outras marcas.

 

Nosso maior problema com esse fogareiro (não sei se os outros também apresentam esse problema) é a frequente obstrução do bico queimador, quando se utiliza gasolina como combustível. Ás vezes, no meio da refeição a chama se apaga total ou parcialmente, reduzindo a eficiência da queima, aumentando o consumo de combustível e irritando o cozinheiro. Isso demanda a interrupção do cozimento, abertura do fogareiro e utilização de uma agulha muito fina para desobstrução do bico. Por vezes a obstrução é mais séria, demandando a remoção do bico e uma limpeza mais fina. É um saco, mas reduzimos esse problema com limpezas finas frequentes, uso de WD40 no tubo rígido condutor de combustível e no bico. Utilizar gasolina comum “fresca” (até quatro dias após ser retirada da bomba) também reduz a frequência dos entupimentos.

A ferramenta que vem com o equipamento é boa, mas não permite a desmontagem completa do fogareiro (demanda uma chave de boca menor, usamos uma inglesa) e a agulha de desobstrução quebra facilmente. Substituímos a agulha por um cabo de cobre de 0,5mm².

No fim das contas, é um equipamento razoável, atende a nossa demanda, mas te exige paciência, cuidados frequentes e um pouquinho de sorte. Vale o preço, mas acho que se fosse hoje, teríamos investido um pouco mais e comprado um equipamento com garantia e que nos durasse por toda a vida.

4 COMENTÁRIOS

  1. Oi, tenho um fogareiro desse há algum tempo e agora também está vazando gasolina ali pela parte laranja (que rosqueia na mangueira). Vocês comentam que substituem as vedações mensalmente, onde tem conseguido essas borrachas? Depois dessa também estou com o sentimento de que deveria ter investido num MSR ou Primus. Obrigado pelo texto.

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