Os melhores livros sobre expedições, viagens e aventuras

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“Navegar é preciso”, disse Fernando Pessoa parafraseando um antigo general romano. Em português a frase faz sentido em ambos os conceitos da palavra “preciso”, tanto por ser uma arte que demanda exatidão na navegação (especialmente com os instrumentos de navegação utilizados no passado), quanto na essência da alma humana, que instintivamente necessita estar em movimento. De qualquer forma, essa frase tem tudo a ver com esse post, uma vez que remete tanto à literatura quanto aos nossos anseios por viagens, aventura e exploração. Com a rotina turbulenta do nosso dia a dia nem sempre temos o tempo que gostaríamos para viajar, mas um bom livro pode colocar nossa mente em movimento, tão longe quanto possamos imaginar.

Várias vezes fiz buscas na internet atrás de livros sobre viagens, expedições e aventuras que pudessem me levar para longe. Encontrei boas referências. Tentarei apresentar aqui algumas opções bacanas de livros que realmente me prenderam a atenção. Para facilitar, vou separar por temas. A ideia é manter essa lista sempre atualizada, então sempre que lermos algum livro novo vamos acrescentando à lista. Caso tenham alguma sugestão de livros que não estão na lista, por favor, compartilhem conosco!

 

Viagens e expedições náuticas

– Cem dias entre céu e mar (Amyr Klink): Amyr Klink é um dos maiores navegadores brasileiros. O primeiro livro do autor conta a história de uma viagem solo extremamente bem planejada entre a costa da África e o Brasil, acredite se quiser, em um barco a remo. A viagem, feita em 1984, levou cem dias e contou com uma dose inimaginável de coincidências que às vezes parecem até história de pescador. (Inclusive, quem quiser conhecer o barco ele está exposto no museu náutico de São Francisco do
Sul, em Santa Catarina).

– Paratii entre dois polos (Amyr Klink): A loucura de Amyr Klink parece não ter limites. Nesse livro ele busca recriar um fato ocorrido por volta de 1915 com a tripulação de Shackleton, que ficou presa no gelo antártico durante o inverno (vamos falar dessa história mais adiante). A ideia foi navegar com seu veleiro, Paratii, e invernar na antártica, deliberadamente deixando-se ficar preso no mar congelado do polo sul até que a primavera chegasse, libertando-o novamente. Tudo isso, sozinho! Após desprender-se da camada de gelo, Amyr seguiu para o polo norte e retornou ao Brasil. Novamente, uma centena de coincidências que dão até raiva da sorte desse cara. Livro super recomendado, acho que é o melhor livro do Amyr.

 

– Mar sem fim (Amyr Klink): O terceiro livro do Amyr é o último que posso citar aqui, pois o quarto livro não acho que valha tanto a pena quanto os anteriores (Linha d’água). Continuando a linha solitária do Amyr, nesse livro o navegador conta como construiu seu segundo veleiro, Paratii 2, e narra sua viagem ao longo da única latitude na qual se pode navegar 360° entorno do globo sem encontrar terra firme. Ótimo livro, e tem uma das frases mais emblemáticas que já li:

“Um homem precisa viajar. Por sua conta, não por meio de histórias, imagens, livros ou TV. Precisa viajar por si, com seus olhos e pés, para entender o que é seu. Para um dia plantar as suas árvores e dar-lhes valor. Conhecer o frio para desfrutar o calor. E o oposto. Sentir a distância e o desabrigo para estar bem sob o próprio teto. Um homem precisa viajar para lugares que não conhece para quebrar essa arrogância que nos faz ver o mundo como o imaginamos, e não simplesmente como é ou pode ser; que nos faz professores e doutores do que não vimos, quando deveríamos ser alunos, e simplesmente ir ver

 

– A expedição esquecida de Shackleton: A viagem do Nimrod (Beau Riffenburgh): No início do século 20, após conseguir uma vaga na primeira expedição polar de Scott e acompanhar esse mesmo capitão em uma tentativa frustrada de atingir o polo sul, Ernest Henry Shackleton consegue articular fundos para realizar a sua própria expedição e por muito pouco não é o primeiro homem a atingir essa façanha. Mesmo assim, Schackleton ultrapassa, em muito, todos os limites atingidos pelo homem em expedições polares até então realizadas, sejam essas no Ártico ou na Antártica. Esse livro é uma biografia desse que foi um dos maiores nomes das expedições polares, cobrindo desde o início da sua vida até a colheita dos louros dessa primeira expedição.

 

– Endurance: a lendária expedição de Schackleton à Antártida (Caroline Alexander): Decididamente Schackleton era um aficcionado pela vida na Antártica. Após decorridas as façanhas citadas no livro acima descrito, Schackleton novamente se lança à Antártica agora com o intuito não somente de atingir o polo sul como o de cruzar o continente gelado. Entretanto seus planos são frustrados quando seu navio fica preso no gelo da calota polar e acaba naufragando. Rico em relatos e fotografias da expedição, o livro mostra o planejamento da viagem, a ambição e liderança do capitão, o dia a dia dos marinheiros antes e depois do naufrágio. Incrivelmente Shackleton conseguiu retirar toda a sua tripulação do polo sem uma única baixa.

 

– Na trilha de Adão (Thor Heyerdahl) – Se Shackleton e Amyr Klink soam um tanto loucos com suas expedições, depois de conhecer Thor Heyerdahl os dois primeiros parecerão até que um tanto razoáveis. Bem conhecido pelo recém lançado filme Kon-Tiki, Thor Heyerdahl foi um ousado arqueólogo e antropólogo norueguês que resolveu colocar em cheque todas as teorias de migração e colonização da polinésia. Thor defendia que a origem dos povos polinésios vinha dos antigos nativos sul-americanos, contra as teorias da época que indicavam que as rotas migratórias vinham da ásia. Para provar sua teoria, Thor reuniu mais um punhadinho de loucos e construiu uma balsa de troncos para cruzar o pacífico entre o Peru e a Polinésia. E conseguiu! Neste livro Thor retorna na sua própria história e conta um pouco dos desafios, descobertas e conhecimentos que adquiriu ao longo de sua intensa vida. (Esse livro não é a história do Kon-Tiki, apesar de ser citado. Mas o livro do Kon-Tiki está na lista de livros a serem lidos).

 

De bicicleta

– Transpatagônia – Pumas não comem ciclistas (Guilherme Cavallari): Repleto de referências bibliográficas sobre a região patagônica, o livro é muito rico para quem pretende viajar à essa região. A narrativa alterna entre história e a rotina do autor durante um pedal de autoconhecimento entre Bariloche e Ushuaia, passando por alguns dos pasos (como são chamadas as fronteiras internacionais) mais remotos da patagônia. Literatura obrigatória para viajantes patagônicos ou loucos fascinados pela região.

 

– Avenida das Américas (Carlos André Ferreira): Já faz algum tempo que li esse livro, não lembro com detalhes da história mas garanto que é muito boa. Carlos, um jovem carioca, resolve viajar aos estados unidos e trabalhar como entregador de pizza e toda sorte de empregos malucos para juntar grana, comprar uma bicicleta e equipamentos e retornar para casa pedalando. De narrativa simples, te coloca ao lado do ciclista em inúmeras loucuras.

 

– Trilhando Sonhos (Thiago Fantinatti): Baita livro bacana, o meu xará conta sua viagem saindo do interior de São Paulo até o fim do mundo, Ushuaia, retornando pela cordilheira dos andes, passando pela Argentina, Chile, Bolívia e Peru, depois retornando ao Brasil em meio à Floreta Amazônica. Magrão humilde, fez sua viagem sem grandes pretensões e disposto a respeitar seus limites, viveu dores, um braço quebrado, amores e grandes aventuras. Livro bem inspirador, quando relembro de alguns trechos ainda sinto como se estivesse pedalando ao lado do Thiago. O mais bacana é que o autor ainda fez um livro “multimídia”. Cada capítulo está referenciado com um link para o seu website, com fotos super bacanas dos trechos (http://www.trilhandosonhos.com.br/). Não achei esse livro para comprar em livrarias, mas comprei pelo google books e li no tablet mesmo.

 

– 7 Passos Andinos (Antonio Olinto): Já tive o prazer de pedalar com esse ícone em Blumenau. Olinto dedica sua vida hoje ao cicloturismo, fazendo palestras, escrevendo livros e montando guias de viagem para ciclistas. Esse livro é bem pequeno, 104 páginas, e é livre de frescuras de editoras. É o relato sucinto de uma viagem que Olinto fez atravessando a cordilheira dos andes e passando por paisagens distintas sob variações extremas de temperatura, umidade e altitude. Incrivelmente, a maior dificuldade foi lidar com seu companheiro de viagem.

Capa 7 Passos Andinos

– Homem Livre (Danilo Perrotti Machado): Essa é uma viagem de volta ao mundo muito bem descrita por Danilo e que acaba de se tornar um documentário. As diversidades culturais, os perrengues e as realizações pessoais e espirituais do viajante são super cativantes e te levam lado a lado do início ao fim da jornada. Durma em uma cabana de palha no meio dos himalaias, conjure os poderes de Alá no coração do deserto para se proteger das ameaças de homens armados ou lute com um chinês bêbado no meio da noite junto com o nosso viajante destemido.

 

De carro ou moto

  • Mundo Por Terra (Roy Rudnick e Michelle F. Weiss): Nossos vizinhos catarinenses surpreenderam com a qualidade dos relatos e das imagens do seu livro. Após empreender uma ousada viagem ao redor do globo a bordo de um Land Rover Defender, o casal condensou tudo em um livro muito bem estruturado, cheio de aventuras, roubadas e emocionantes encontros com os povos locais. Simplesmente FÓ-DÁ!

 

Alpinismo

– No Ar Rarefeito (Jon Krakauer) – Livro que no ano passado tornou-se uma megaprodução cinematográfica. Conta a história de uma das maiores tragédias já ocorridas no Everest sob o ponto de vista do autor, que estava entre os alpinistas na ocasião. Narrativa congelante, sente-se a tensão no ar a cada passo em direção ao topo da maior montanha do mundo.

 

Vida ao ar livre

– Na Natureza Selvagem (Jon Krakauer) – Mais um livro do Krakauer que se tornou filme (diga-se de passagem, um dos melhores filmes que já vi, inclusive melhor até que o livro). Nesse caso a história contada é de Christopher Maccandless, um jovem americano aparentemente comum, de uma família de classe média, que após sua formatura resolve renunciar aos confortos para viver uma aventura rumo ao Alaska. O autor seguiu os passos do personagem para recriar sua fantástica e trágica jornada. Cheio de ideologias um tanto anárquicas e libertárias que remetem a Thoreau, mas nem um pouco maçante. Beeem legal!

 

– Os Vagabundos Iluminados (Jack Kerouac) – História interessante, apesar de a leitura ser um pouco pesada e as vezes difícil de entender. Escrito em 1958, o livro conta a jornada do jovem Ray Smith em busca da plenitude, fazendo uma salada entre budismo, alpinismo, liberdade e desprendimento. Recomendo apenas àqueles que estão habituados a literatura mais clássica, pois pode desencantar os demais.

 

Expedições polares

– Rumo ao Pólo Sul (Diana Preston): mais um livro trágico, relata a corrida expedicionária rumo ao Pólo Sul empreendida por Robert Falcon Scott em 1912. Uma das mais conhecidas histórias polares, na qual Scott e sua equipe tentam ser os primeiros homens a atingir o polo sul e perdem a vida logo enquanto retornavam ao navio. Não bastasse, ao atingir o polo descobrem que não foram os primeiros a chegar lá (chegam pouco tempo depois da expedição liderada por Amundsen). É interessante vivenciar as dificuldades da época, sem artigos tecnológicos, com roupas e equipamentos pesados e trenós puxados por cães.

Vamos lá, inspire-se e nos diga o que você achou das sugestões. Sugira algo você também!

Esse post será atualizado constantemente, a ideia é aumentar a lista de opções para os amantes desses temas!

8 COMENTÁRIOS

  1. Algumas sugestões em Viagens e expedições náuticas eu indico o livro Tekenika, de Giuliano Giongo, 70 dias sozinho em uma canoa (caiaque) no mar do Cabo Horn. De Alpinismo, os livro do Waldemar Niclevicz. De bicicleta, Transpatagônia, pumas não comem ciclistas, do Guilherme Cavallari.

    • Muito bom Emilson, o livro do Cavallari já estava na lista das próximas leituras (você já viu o filme dele no Netflix?). Os demais eu desconhecia, já anotei aqui. Muitíssimo obrigado!

  2. Recomendo um sobre expedições polares, que conta a saga da disputa pela conquista do Pólo Sul entre Amundsen e Scott. Além do relato da aventura, a maneira como as expedições foram organizaram é uma verdadeira faculdade de como se organizar uma expedição.

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