Caminho dos 7 lagos de bicicleta – De San Martín a Villa La Angostura

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Após alguns dias descansando em San Martín de Los Andes, saímos ansiosos para conhecer o tão famoso Caminho dos 7 Lagos. Antes de começar a subida já anunciada, fizemos uma pausa no mercado para nos abastecermos com: leite, banana, carne, vinho, pão e alguns alfajores, afinal, seriam quatro dias sem pontos de abastecimento pelo caminho. Nessa altura da viagem a gente já nem se importa com o sobrepeso rsrs, ainda mais se for pra levar comida.


Saindo do mercado já iniciamos uma subida bordeando o Lago Lácar. Não pedalamos nem 3km e um senhor nos parou. Nesse momento pensamos “Pqp, ter que parar a gente bem em uma subida? rsrs”. Tudo bem, valeu a pena. Guido é francês e mora em San Martín há 16 anos com sua mulher, 3 cachorros e 2 gatos, nos ofereceu sua casa para nos hospedarmos o tempo que precisássemos. Olhamos um ao outro com aquela vontade de ficar mas decidimos seguir com a promessa de voltar.


Após 37km pedalados, chegamos ao Lago Hermoso. Não é por acaso o seu nome, realmente foi um dos lagos mais bonitos que vimos até hoje. Chegamos próximo da caída da noite e ficamos sentados no frio até o guarda-parque ir embora, afinal, não se pode acampar por lá, muito menos entrar com cachorros em Parques Nacionais. Aos poucos foi anoitecendo e a temperatura caindo rapidamente, corremos para deixar tudo pronto pra noite fria que estava por vir. Já tínhamos em mente que seria uma noite com temperaturas negativas. Armamos a barraca, deixamos as bikes do lado de fora e na varanda fizemos nossa janta: strogonoff de frango com vinho argentino. Quem disse que não dá de fazer uma boa comida enquanto acampamos, hein? Foi uma noite tranquila, só nós, o lago e o frio lá fora.

Pela manhã nos deparamos com uma vista inédita até então. Uma forte geada se formou durante a noite e tudo o que víamos estava branco, inclusive a barraca. Poças de água congelaram, nem mesmo o potinho de água da Frida escapou. Uma fina névoa subia da superfície do lago, enquanto os primeiros raios de sol iluminavam o topo das montanhas ao redor. Foi uma sensação de alegria intensa, estávamos onde queríamos estar.

Tomamos nosso café da manhã em frente ao deck onde o sol já mudava razoavelmente a temperatura. Foi difícil dizer adeus, mas tínhamos que partir.

Após 27km pedalados chegamos ao Lago Traful. Acampamos no Camping Pichi Trafu, que nessa época permanece “fechado”. Toda a estrutura de churrasqueira e local para armar a barraca fica disponível pra quem quiser usar sem custo algum, porém sem acesso aos banheiros.

Acendemos uma fogueira, armamos nossa barraca e começamos a fazer um guizo para almoçarmos. Aprendemos a fazer essa comida com o Edgard, warmshower que nos hospedou em Liberdad. Como no caminho não temos tanto acesso a comida, adaptamos com o que tínhamos: carne moída, batata doce, batata inglesa, milho e molho de tomate acompanhados de arroz com alho e claro, vinho argentino.

Como era final de semana, tinha muita gente no lago fazendo o tradicional asado argentino e um desses casais era o Fernando e a Valéria. Perguntaram se iríamos passar por Villa La Angostura e nos deram seus telefones para ligarmos quando chegássemos na cidade.

Em nosso último dia acampando pelo Caminho dos 7 lagos ficamos hospedados no Lago Espejo Chico após 32km pedalados. Ao sair da ruta 40 nos deparamos com um caminho de terra sensacional e logo podemos ver o porque do nome do lago. Mesmo com 4 metros de profundidade podíamos ver o fundo do lago e, em dias sem vento (nosso caso), reflete a paisagem como um verdadeiro espelho. Uma beleza que não conseguimos transmitir em nenhuma das fotos que tiramos do lugar.

O camping em frente ao lago parecia estar desativado também, então armamos nossa barraca em um local que imaginamos ser o mais adequado para não pegarmos tanto vento, almoçamos macarrão com frango e fomos desbravar a região.

Antes de anoitecer alguém “bate” na porta da nossa barraca. Era o suposto dono do lugar nos informando que teríamos que pagar o camping. $100 pesos por pessoa sem banho e sem água. Achamos injusto mas fazer o que. Nesse momento eles nos avisou que iria fazer muito frio e que tínhamos escolhido o pior lugar pra montar a barraca haha, que deveríamos ter montado embaixo das árvores no meio do bosque. Como tudo já estava pronto, resolvemos arriscar o frio e ficamos por alí mesmo.

O último dia foi curto, mas não menos puxado. Após 27km de fortes subidas e descidas chegamos em Villa La Angostura, a última cidade do caminho dos sete lagos, terminando o percurso com uma linda vista do lago Nahuel Huapi e, ao fundo, o inconfundível Cerro Catedral.

Acabamos arriscando um contato com o casal que conhecemos no segundo dia e, vejam só, acabamos acampados no quintal de sua casa por toda uma semana. Fechamos o circuito com chave de ouro, afinal nossos anfitriões foram excepcionalmente gentis. O Fernando e a Valéria, viajados motociclistas que já percorreram toda a argentina, nos brindaram com um lindo passeio de bote pelo lago correntoso e vários tours vips por Villa La Angostura e Villa Traful.

Para nós que já conhecíamos Bariloche, o passeio pelos sete lagos foi considerado um dos mais lindos a se fazer pela região. É claro, o encanto da viagem foi feito não só pelas paisagens, mas também pela novidade e pelos amigos que fizemos pelo caminho. De qualquer forma, super recomendamos o passeio, seja de bike, carro, a pé, de patinete, o que for a sua viagem!

 

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