A travessia de Santa Catarina para o Rio Grande do Sul

2
39

Esperávamos sentir uma grande emoção quando cruzássemos a fronteira do RS, mas quando entramos em Torres tivemos uma sensação parecida com a de quanto cruzamos a ponte de Laguna. Não sei se foi um leve desânimo, uma pequena frustração ou somente cansaço. Além das fortes dores que a Milka sentia no joelho, nós não entramos muito na vibe da cidade. Conseguimos nos hospedar no único camping aberto que encontramos, mas não fomos bem recebidos. As pessoas olhavam diferente para nós, faziam comentários pejorativos pelo fato de estarmos viajando com um cachorro. Não sei, foi estranho.

Em compensação, o parque da Guarita, uma unidade de conservação repleta de falésias e praias inacreditáveis nos tirou o fôlego. Até então foi uma das paisagens mais lindas da viagem e valeu muito a visita. O parque fica localizado dentro da cidade e sua entrada é gratuita, vale fotos belíssimas.

Rumamos para Xangri-lá, uma das praias mais próximas de Porto Alegre, e lá buscamos um médico para descobrir o que se passava com o joelho da Milka. Em resumo, tratava-se de uma inflamação que poderia ser (ou não) muscular. Para saber mais precisamente, seria necessário fazer uma ressonância (de R$600,00). Se fosse muscular, um repouso de 7 dias e o uso de anti-inflamatórios potentes seria suficiente para reverter a situação. Caso não fosse, a viagem teria de ser interrompida e seria necessária a realização de intervenções médicas mais específicas. Em resumo, optamos por não matar a curiosidade na hora, mas sim tomar os remédios e ver o resultado depois de 7 dias.

Ficamos 5 dias em um camping em Xangri-lá e, como o joelho vinha apresentando melhoras, optamos por compensar os dias parados indo de carro até Rio Grande. Alugamos uma saveiro e pulamos quase 300 km do litoral gaúcho, até a casa do William na praia do Cassino, onde ficamos por mais dois dias.

O William foi genial. Estava se preparando também para fazer uma cicloviagem e se inspirava recebendo cicloviajantes em sua casa. Nos levou pra conhecer o porto de Rio Grande e os Molhes, tudo isso pedalando pela praia do Cassino, que dizem ser a maior praia em extensão do mundo. Finalizamos nossa hospedagem com uma aula particular de Yoga e a certeza de que em breve teríamos mais um amigo na estrada!

O início da última travessia dentro do Brasil, a reserva do Taim, foi sob fortes ventos. Por sorte, esses ventos estavam todos soprando ao nosso favor. Logo nas primeiras horas de pedal, pouco depois de sairmos de Rio Grande, paramos para comprar alguma porcaria numa vendinha quando, do outro lado da estrada, vemos um cicloviajante passando. Era o primeiro cicloviajante em movimento que víamos desde que saímos, então corremos para conversar com ele. Era o Allan, paranaense, já estava há 3 meses na estrada. Que alegria, logo decidimos seguir juntos por esse longo trecho que tínhamos pela frente.

Na primeira noite da travessia ficamos hospedados em uma vila, que na verdade era propriedade de uma fazenda produtora de arroz. Optamos por montar as barracas sob alguns pinheiros, pois o gramado era muito bom. Qual foi o nosso erro? Não olhamos para cima antes de montar as barracas! No meio da noite, enquanto dormíamos, ouvimos um estrondo, acompanhado de um forte solavanco na barraca. Óbvio que um galho havia caído, mas qual seria o tamanho do estrago? O Gilli saiu na madrugada para avaliar os estragos. Um galho enorme havia caído de ponta na varanda da nossa barraca e, por muita sorte, o resultado foi apenas um rasgo no teto da barraca, relativamente pequeno para o tamanho do galho. Ninguém foi atingido, a barraca do Allan estava inteira, nenhuma vareta da barraca foi quebrada. Ufa! Primeira cicatriz de guerra, paciência.

Passamos a segunda noite em frente a uma igreja na praia da Capilha, logo na entrada da reserva do Taim. O Allan estava louco para fazer uma fogueira, então curtimos o por do sol na lagoa mirim, com direito a fogueira e batatas e cebolas na brasa.

A reserva do Taim foi atravessada rapidamente. Ficamos realmente impressionados com a biodiversidade do local. Além das centenas de espécies diferentes de aves que vimos, também vimos jacarés, capivaras, preás, lontras e, infelizmente, algumas outras espécies de mamíferos atropelados.

Após a reserva passamos a noite no ginásio de uma escola e, no dia seguinte, chegamos à casa do Wendel e do Gabriel, WarmShowers que nos receberam em sua casa, em Santa Vitória do Palmar. Essa seria nossa última hospedagem em terras tupiniquins. Dois dias depois rumaríamos para o Uruguai.

 

 

 

2 COMENTÁRIOS

  1. Por acaso eram vocês hoje à alguns quilômetros após a divisa do Uruguai? Passando a Fortaleza Santa Tereza? Passei por dois ciclistas, com uma carretinha atrás…

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here